A reposição de testosterona mudou a vida de muitos homens: mais energia, mais massa muscular, melhora da libido e do humor. Mas existe um ponto que quase ninguém comenta antes de começar o tratamento, e ele envolve diretamente testosterona e fertilidade.
A testosterona aplicada de fora pode reduzir drasticamente a produção de espermatozoides. E isso vale tanto para a reposição feita com acompanhamento médico quanto para o uso de anabolizantes por conta própria. Continue a leitura e entenda por que isso acontece e o que fazer.
Por que a testosterona de fora reduz os espermatozoides
Parece contraditório, mas faz todo sentido do ponto de vista fisiológico. A produção de espermatozoides depende de uma comunicação entre o cérebro e os testículos, o chamado eixo hipotálamo-hipófise-gonadal.
Quando você aplica testosterona externa, o cérebro entende que já existe hormônio suficiente circulando e desliga esse comando. Com isso, caem o LH e o FSH, que são justamente os hormônios que estimulam o testículo a produzir espermatozoides.
Uma revisão sobre o tema explica exatamente isso: tanto a reposição de testosterona quanto os anabolizantes suprimem esse eixo e reduzem a espermatogênese. Ou seja, o testículo para de trabalhar porque o corpo entende que não precisa mais.
E é aqui que muita gente se engana: ter uma testosterona alta no exame de sangue não significa ter uma boa produção de espermatozoides. Pode ser exatamente o contrário.
Isso é reversível?
Na maioria dos casos, sim. Uma revisão publicada em 2022 mostra que a recuperação costuma acontecer de forma espontânea após a suspensão do medicamento, embora os estudos disponíveis ainda sejam observacionais e limitados.
O problema é o tempo, que é bastante variável. Essa mesma revisão aponta que a recuperação depende de fatores como a função testicular antes do tratamento, o tempo de uso e a idade em que a pessoa parou de usar.
E existe outro ponto importante: em alguns homens, apenas parar o medicamento não é suficiente. Nesses casos, é necessário um tratamento hormonal para estimular o testículo, ou até o uso de técnicas de reprodução assistida.
Existem alternativas para quem quer ter filhos
Sim, e é sobre isso que o paciente precisa ser informado antes de começar. Uma revisão de 2025 sobre hipogonadismo em homens que desejam preservar a fertilidade destaca que as formas de reposição de longa duração não são indicadas para quem pretende engravidar a parceira.
A boa notícia é que existem opções. A mesma revisão aponta que o citrato de clomifeno e as gonadotrofinas são seguros, controlam bem os sintomas e conseguem induzir a fertilidade em pacientes com hipogonadismo.
Ou seja, dá para tratar a testosterona baixa sem abrir mão do projeto de ter filhos. O que não dá é fazer isso sem avaliação.
O que fazer antes de iniciar o tratamento
Se você tem sintomas de testosterona baixa e ainda pretende ter filhos, alguns cuidados são essenciais:
- informe o seu médico sobre o desejo de ter filhos antes de iniciar qualquer tratamento;
- faça uma avaliação hormonal completa e um espermograma antes de começar;
- discuta as alternativas que preservam a fertilidade;
- jamais use testosterona ou anabolizantes por conta própria.
Conclusão
Quando falamos de testosterona e fertilidade, a mensagem é simples: a reposição funciona, mas tem consequências que precisam ser conversadas antes, e não depois. Reduzir a produção de espermatozoides não é um efeito raro, é o efeito esperado.
Se você pensa em iniciar a reposição ou já faz uso e tem o desejo de ter filhos, não tome essa decisão sozinho. Agende uma consulta comigo e vamos avaliar o seu caso com todos os exames necessários, para cuidar da sua saúde sem comprometer o seu futuro. Aproveite também para me seguir no Instagram, no YouTube e no TikTok.
Para se aprofundar em testosterona e fertilidade e nos tratamentos disponíveis, veja também: Reposição de testosterona para homens: benefícios e cuidados e Tratamento para hipogonadismo: como funciona e quando é necessário.



